PAPEL DE TRANSPORTE

PRODUÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA EM CONTEXTO OFICINAL  FBAUP

papelT

Papel de transporte é, como o nome sugere, uma superfície intermédia, onde se trabalha uma imagem, com o intuito de esta ser transportada para outro substrato. André Beguin, no seu Dictionnaire technique de l’estampe, descreve o report como o transporte de um desenho de uma superfície para outra e ainda os papiers à calquer, utilizados para decalcar sobre pedra, metal ou madeira. Decalque, uma alternativa ao termo transfer ou transporte, deriva da palavra francesa decalquer, que significa traçar, marcar, copiar.

Este expediente tem particular relevância e peso histórico, no desenvolvimento dos processos litográficos e na transferência da imagem para o suporte de pedra, como refere Alois Senefelder em A Complete Course of Lithography.

Neste projeto dedicado ao desenvolvimento de papéis de transporte artesanais, são testadas e revistas várias fórmulas de revestimento, umas dirigidas à aplicação em litografia, outras aos decalques sobre suporte vítreo e cerâmico. Este projeto insere-se pois num principio de revisão de métodos expeditos para a integração de técnicas imagéticas, fotográficas e analógicas na prática da produção da imagem impressa produzida a partir do contexto da gravura original.  A partir da adaptação e atualização de métodos mencionados em tratados e manuais de gravura, fotografia, vidro, cerâmica, e conduzindo inúmeros testes, sistematizam-se, em território nacional, soluções simples e acessíveis, de grande eficiência e qualidade de transporte, aptas a todo o tipo de manipulação e integração da imagem na produção artística.

MONTAGEM 1

montagem 2

montagem 3

 

Para produzir um papel de transporte de raiz foram analisadas todas as componentes de produção e métodos de transferência. Para os testes, foram usados papéis de baixa gramagem, entre 90g/m2 a 150g/m2 e soluções à base de gomas vegetais, gelatinas e colas.

 

Verifica-se pois, ao longo do projeto, as inúmeras vantagens na transferência de imagens como a portabilidade, flexibilidade e adaptação a diferentes superfícies rígidas. São disso exemplos os transportes criados a partir de impressão digital de toner, transferidos para chapas litográficas, uma variante da eletrografia que evita na íntegra o recurso a diluentes sempre necessários para uma maior integridade do transporte. Outros testes sobre variantes autográficas ou fotográficas foram aqui testados, sempre com recurso a processos de intermediação, como é o caso da serigrafia ou mesmo a calcografia.

 

Uma das vertentes eleitas a testar, a articulação das técnicas de kilncasting e sandcasting com processos de transferência de imagens através da configuração de moldes de gesso e sílica e areia recorrendo também à gravação a laser dos objetos tridimensionais, o desenvolvimento de papéis de transporte ou decalque através de técnicas artesanais de produção recuperadas aos contextos tecnológicos da impressão usados a quente. Com estes ensaios, pretende-se realizar peças com impressão em decalque de monocozedura, rentabilizando espaços e tempos de trabalho.

 

O porjeto conta já com a compilação dos resultados em livro das oficinas dedicado á produção de papéis de transporte, onde podem ser consultadas  as fórmulas que garantem maior fidelidade ao original.

 

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